
A tapioca está na na base da alimentação no Brasil antes da chegada de Pedro Álvares Cabral. Os índios tupi-guaranis habitavam a costa brasileira de Norte a Sul e a base da comida deles era a mandioca. Eles faziam muito beiju, mas precisavam economizar tempo e fogo, então inventaram a tapioca, que fica pronta mais rapidamente.
Foi pelos descobridores portugueses que essa deliciosa invenção ganhou a mesa dos brasileiros. Nos tempos do Brasil Colônia era difícil aparelhar as casas improvisadas e eles viram na tapioca uma forma de substituir o pão, até porque a feitura do pão naquela época, aqui, era muito complicada.
E isso começou na Capitania Hereditária de Pernambuco. No século 16 foi criada a Casa de Farinha em Itamaracá e aí a cidade de Olinda passou a consumir intensamente o beiju, a farinha e a tapioca, todos tirados da mandioca. Assim que as outras regiões do Nordeste foram sendo ocupadas, outra nações indígenas começaram a usar a farinha da mandioca para fazer tapioca. Mais tarde, a tapioca também serviu como base alimentar dos escravos.
Por isso a tapioca é considerada um dos mais tradicionais símbolos da culinária por quase todo o Nordeste. A ponto de ter virado patrimônio cultural por um projeto da Preferitura de Olinda.
Eu adoro tapioca, mas sou tradicionalista, gosto da tapioca com manteiga e queijo coalho. O João Cláudio não perdeu a oportunidade e me perguntou se eu tomaria vinho com tapioca. A resposta é óbvia: claro!
Dependendo do recheio a tapioca vai dar ótimas harmonizações e fica até sofisticado. Por exemplo, a tapioca tradicional que eu gosto, de manteiga com queijo coalho, fica muito boa com um chardonnay, por razões óbvias as frutas vão combinar com o queijo e a manteiga característica da uva vai ajudar a engrandecer o recheio da massa de amido.
A tapioca que mais faz sucesso em Brasília é a de charque, às vezes com catupiry também. Nesse caso acho que pede um bom vinho português do Alentejo. Vinhos frutados, pouca ou nenhuma madeira, acidez num ponto que equilibra muito bem a carne e o queijo.
Se a opção for uma tapioca de sobremesa, de coco com doce de leite, cabe perfeitamente com um vinho doce. Aí vai depender do padrão de quem está comendo a tapioca. Um francês vai achar ótimo com Sauterne. Um português vai querer com vinho do Porto. Nós aqui no Brasil vamos de colheita tardia do Rio Grande do Sul ou do Chile.
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